O inferno já existe?

Acompanhe este estudo e descubra se o local de tormento para os condenados por Deus conhecido como "inferno",  já é um lugar existente e se já existem pessoas nele.



O INFERNO JÁ EXISTE?


Começaremos o estudo explicando á luz das escrituras que a ideia de um inferno já existente e que atormentará seres humanos pecadores por toda a eternidade é totalmente antibíblico pois vai de contramão aos ensinos da palavra de Deus.

E também não podemos nos esquecer é de que o juízo final (Apocalipse 20:11-15), momento em que os ímpios serão julgados e condenados ao lago de fogo ainda não chegou.


Vejamos o que diz o livro de Atos 17:31
"Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos". - Atos 17:31

As palavras bíblicas citadas acima, nos revelam com extrema clareza de que Deus reservou um dia para executar Seu justo julgamento. Ou seja, o juízo ainda é em um tempo futuro e não agora.

Se lermos atentamente a 2 Pedro 2:4, veremos que os maus anjos foram aprisionados; os reservando para tal dia do juízo.

Na concepção bíblica, o "inferno" será lugar de castigo aos ímpios já julgados e condenados. Sejam seres espirituais (anjos) ou humanos.

E se tais anjos estão reservados para o juízo, na verdade significa de que ainda não tiveram seu castigo sentenciado e executado.

Mas e a palavra "inferno" que aparece nesse texto de 2 Pedro 2:4?

No original grego, é ταρταρον (tártaro), que se refere a um estado de trevas espiritual. E quando analisamos Apocalipse 12:7-12 vemos que satanás e seus anjos rebeldes ao serem expulsos do lugar celestial foram confinados á Terra e estão aguardando o dia do juízo para serem por fim, jogados no lago de fogo (Apocalipse 20:11-15). Esse de fato é um estado de trevas espiritual e moral.

Tendo um entendimento contextual e até mesmo da língua grega e hebraica, será fácil compreender os textos bíblicos que mencionam sobre o assunto.

A compreensão de que já há anjos e pessoas condenadas e queimando no inferno antes de passarem pelo juízo de Deus, vai totalmente contra os ensinamentos das sagradas escrituras.

Tal ensino se opõe também a doutrina bíblica de que os que morreram, até a ressurreição, estão "dormindo" no pó da terra (Eclesiastes 9:5-6; 12:7) .



O QUE É O INFERNO ?

1° Situação


"E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno". - Mateus 5:30

Vamos analisar o texto acima no grego:

"Και εαν η δεξια σου χειρ σε σκανδαλιζη, εκκοψον αυτην και ριψον απο σου· διοτι σε συμφερει να χαθη εν των μελων σου, και να μη ριφθη ολον το σωμα σου εις την γεενναν."


Em todas as passagens no novo testamento onde se refere ao "inferno", a palavra no texto original em grego é γεενναν (Geenna).


Geenna, palavra hebraica transliterada para o grego, que se encontra 12 vezes na Bíblia: Mateus 5: 22, 29, 30; 10:28; 18:9; 23:15, 33; Marcos 9:43, 45, 47; Lucas 12:2; Tiago 3:6.

Geenna vem do vocábulo hebraico Ge Hinom ou Gé Ben Hinom - "Vale de Hinom" ou "Vale do filho de Hinom". Nesse vale havia uma elevação denominada Tofete, onde ímpios queimavam seus próprios filhos. Este vale se situava a sudoeste de Jerusalém; neste local, antes da conquista de Canaã pelos filhos de Israel, canaanitas ofereciam sacrifícios humanos ao deus Moloque. Terminados os sacrifícios humanos, este local ficou reservado para depósito do lixo proveniente da cidade de Jerusalém. Juntamente com o lixo vinham cadáveres de mendigos encontrados mortos na rua ou de criminosos e ladrões mortos quando cometiam delito.

Uma explicação é que, na época de Jesus, o termo Geenna foi aparentemente usado metaforicamente para se referir a um lugar de destruição. É interessante notar que o hebraico não tem nenhuma palavra para tal conceito e Jesus aparentemente não sentiu necessidade de introduzir um, preferindo fazer alusões históricas.

Ou então, segundo alguns estudiosos, o vale de Geenna tornou-se de fato um lugar essencialmente incinerador na época de Cristo. Ele constantemente consumia o lixo da cidade e os corpos de criminosos e desonrados. Esta tradição é bastante antiga, mas não é suportada por qualquer evidência ou relatos antigos. Em qualquer caso, nenhuma das referências de Cristo a Geenna sugerem qualquer tipo de tormento eterno. Remover os injustos da existência, como os versículos sugerem, não soa particularmente parecido com torturá-los para sempre.


2° Situação

"Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus." - Salmos 9:17

Vamos analisar a palavra "inferno" usada em diversos textos no Antigo Testamento no hebraico:

➢ יָשׁ֣וּבוּ רְשָׁעִ֣ים לִשְׁאֹ֑ולָ ה כָּל־גֹּ֝ויִ֗ם שְׁכֵחֵ֥י אֱלֹהִֽים

 שָׁאַל (shĕ'owl) = Seol. Sepultura comum da humanidade, o domínio da sepultura; não um lugar de sepultamento ou sepulcro específico. Embora se tenham oferecido diversas derivações da palavra hebraica she'óhl, pelo visto, ela deriva do verbo hebraico sha·'ál, que significa "pedir; solicitar".


Em algumas traduções bíblicas, Seol foi representado pela palavra "pó da terra" ou mesmo "morte". O que verdadeiramente indica em sua significância.

Seol representa o estado do ser humano após a sua morte, onde seu estado de consciência está "desativado" e seu corpo se desfez; de acordo totalmente com os ensinamentos de Eclesiastes 3:19-20; 9:5-6 e 12:7.


3° Situação

"E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte." - Apocalipse 20:14

Vamos analisar o texto acima no grego:

"Και ο θανατος και ο αδης ερριφθησαν εις την λιμνην του πυρος· ουτος ειναι ο δευτερος θανατος." - Apocalipse 20:14


αδης (hades) =  A única referência que temos do nome Hades na história, vêm da mitologia grega que representa a um deus pagão que reinava o "mundo dos mortos".

Como não podemos excluir ou tão pouco substituir a doutrina bíblica por quaisquer outra; devemos compreender de que João utilizou desta alegoria para figurar a morte propriamente dita. Onde esse "mundo dos mortos" não é um local específico e sim um estado, a situação do ser humano sem a vida.


Como então se pode analisar através das escrituras é que não há doutrina sobre a existência de um lugar de punição antes do julgamento final.

Os mortos aguardam a ressurreição para serem ou glorificados para a vida eterna ou julgados para a condenação que será a segunda e definitiva morte.