Devemos pagar o dízimo ?

Ainda devemos pagar o dízimo na nova aliança? O que uma análise mais aprofundada nos revela sobre esta lei? 

DEVEMOS PAGAR O DÍZIMO?



"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos." - Malaquias 3:8-11



VAMOS ENTENDER QUAIS AS TÁTICAS QUE MUITAS IGREJAS UTILIZAM PARA COBRAR O DÍZIMO

Infelizmente devo afirmar de que as igrejas que impõe o pagamento do dízimo nos dias de hoje, após o novo pacto (nova aliança), estão roubando a Deus

Utilizam equivocadamente das palavras do livro de Malaquias 3:10-11 para intimidar de que se você não paga-lo estará roubando a Deus, se privando de receber as bençãos sem medidas e que Deus não repreenderá o"devorador", que irá arrasar suas finanças, vida social, familiar, bens, saúde e etc.


Pois tudo isso é que, não "devolvendo" o dízimo, você está roubando a Deus.

Porém elas não sabem, ou em alguns casos fingem que não sabem, que o dízimo cobrado aos seus fiéis não está mais em vigor após a nova aliança.


Vejamos a seguir, os tipos de dízimos que foram definidos por lei ao povo de Deus.


OS TRÊS TIPOS DE DÍZIMOS

Na verdade, haviam três tipos diferentes de dízimos instituídos no Antigo Testamento, e apenas uma pequena parte do primeiro tipo deveria ser entregue na "casa do tesouro". Nesse caso, existe algo de sumamente errado com a explanação dos pastores sobre Malaquias 3:10-11.


1. O dízimo dos Levitas (Números 18:21 e 24) - Maasser Rishon

"Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, o serviço da tenda da revelação. ...Porque os dízimos que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor em oferta alçada, Eu os tenho dado por herança aos levitas; porquanto Eu lhes disse que nenhuma herança teriam entre os filhos de Israel." Números 18:21 e 24.


Os descendentes de Levi receberam de Deus um cargo santo; de cuidarem do santuário (tabernáculo e posteriormente o templo), e todos os serviços que englobam tal sacerdócio.


Além de eles terem sido separados por Deus para o serviço no Santuário, os levitas foram os únicos a não receber terra como herança (Números 18:20; Josué 13:33) e nem podiam dedicar-se ao trabalho secular. Por esta razão o mandamento requeria que eles fossem sustentados com os dízimos, os quais eram em forma de mantimentos entregues pelas demais tribos de Israel como recompensa pelos seus trabalhos no Santuário.


Profissões não ligadas à agropecuária estavam desobrigadas de entregar os dízimos, tais como: artesãos, padeiros, carpinteiros, cozinheiros, guardas, pescadores, mestres de obra, ourives, caçadores, mercadores, músicos, alfaiates, coletores de impostos, ferreiros, etc. Não há citação bíblica de que os rendimentos do trabalho desses profissionais podiam ser cambiados ou compensados por ovelhas ou grãos a fim de se cumprir os procedimentos dos dízimos.


A última referência bíblica que trata do dízimo durante a vigência do sistema sacerdotal levítico encontra-se em Mateus 23:23 e Lucas 11:42, quando o Senhor Jesus censurou os escribas e fariseus, chamando-os de hipócritas, porque davam o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tinham omitido o que havia de mais importante na lei, que era a justiça, a misericórdia e a fé.


Nestes textos está registrado que Jesus apenas citou o ato de dizimar. Ele não o reprimiu porque Ele ainda estava exercendo o Seu ministério sob a vigência do sistema levítico, cuja obrigatoriedade estendeu-se até a Sua morte, quando o véu rasgou-se de cima até em baixo (Mateus 27:51).


2. O dízimo das Festividades (Deuteronômio 14:23) - Maasser Sheni

"E, perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao SENHOR teu Deus todos os dias". (Dt 14:23).


Esse Dízimo das festas era trazido "ao local", isto é, Jerusalém, como uma "oferta nacional de alegria". Visto como esse Dízimo era sempre de alimentos, ele deveria ser comido ou bebido por todos, nas ruas, enquanto Israel celebrava o tempo de suas festas anuais.


Deveria ser recolhido o referido dízimo para os Israelitas poderem gasta-lo nas festividades anuais das santas convocações e também financiar tais gastos de deslocação e alimentação para aqueles que não tinham condições para tais.


3. O dízimo dos necessitados (Deuteronômio 26:12) - Maasser Aniy

"Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;" - Deuteronômio 26:12


Este dízimo trata-se de um ato de caridade à todos os necessitados que baterem em sua porta. Não creio que Jesus aboliu tal dízimo, pois ele emprega uma forma de justiça social de amparo aos menos favorecidos.


Se tal dízimo fosse seguido por toda a humanidade, sem sombra de dúvida teríamos uma sociedade mais justa e equilibrada. Consequentemente, com a miséria erradicada e uma população mais feliz e menos violenta.

Não seria errado se as igrejas recolhessem tal valor para direciona-lo totalmente à projetos de amparo social. Porém sabemos que infelizmente não é isso o que acontece.

Os dízimos são utilizados para financiar altos salários de pastores, construções de mega templos e etc.



CONCLUSÃO

"E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão." - Hebreus 7:5


O sistema sacerdotal levítico e suas leis associadas às atividades do Santuário duraram enquanto os levitas exerceram o sacerdócio no Santuário terrestre. Quando o Senhor Jesus foi sacrificado e morto, esse sistema deixou de existir. Um novo modelo de sacerdócio foi inaugurado, um sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque.


Conseqüentemente, de acordo com a Palavra de Deus, "mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei." (Hebreus 7:11 e 12). Os levitas apenas recebiam os dízimos pois a lei os permitiam.


E a lei no contexto de Hebreus 7:5-12 abrangia o mandamento do dízimo. Isto significa que quando o sacerdócio levítico e suas leis foram extintos, o mandamento que obrigava a entrega do dízimo também foi extinto por causa da sua fraqueza e inutilidade (Hebreus 7:18). Esta conclusão é óbvia, pois uma parte do dízimo durante a vigência do sistema sacerdotal levítico tinha aplicações diretamente relacionadas às atividades do Santuário e, portanto, inviáveis de serem cumpridas nos dias de hoje, pelas seguintes razões:


1) O dízimo servia para sustentar os levitas em suas atividades no Santuário.

Os levitas eram descendentes da tribo de Levi. A lei requeria que parte dos dízimos fosse entregue a eles, como recompensa pelos serviços prestados no Santuário (Números 18:21 e 24).


2) Do dízimo recebido pelo povo, os levitas tinham que entregar o dízimo do dízimo aos sacerdotes.

Os sacerdotes tinham que ser descendentes da tribo de Levi e ao mesmo tempo descendentes diretos de Arão. Eles eram responsáveis pelos sacrifícios no Santuário (Números 18:25-28; Êxodo 40:12-15).


3) A quem o povo entrega hoje seus dízimos? Muitas instituições religiosas, com intuito de conscientizarem o povo quanto à obrigatoriedade da entrega do dízimo, incluem em seus pontos fundamentais de fé textos bíblicos relacionados ao antigo e extinto sistema sacerdotal levítico. O assunto é muito sério. Os próprios líderes religiosos estão contrariando a antiga lei que eles defendem, pois os dízimos que hoje estão sendo entregues não atendem aos requisitos básicos desta lei, ou seja, não estão sendo entregues aos levitas, descendentes da tribo de Levi e muito menos à sacerdotes, descendentes da família de Arão.


4) Lembre-se: O modelo sacerdotal atualmente vigente é o de Melquisedeque e, segundo esse modelo, o dízimo deixou de ser obrigatório. Será que as nossas dádivas, em vez de serem obrigatórias, não deveriam ser espontâneas e regadas com amor? Quais são as instruções de Jesus e dos apóstolos a esse respeito? O próximo tema abordará amplamente todas estas questões.


MAS E EM RELAÇÃO A MALAQUIAS 3:10-11?

Malaquias cita três situações críticas em relação ao dízimo:


1. Roubar a Deus

2. Casa do tesouro

3. Repreender o "devorador"


Vamos agora, analisar á luz da bíblia, sobre qual situação tais frases se empregam:


Roubar a Deus e a Casa do Tesouro

Na época de Neemias, haviam câmaras para armazenarem os estoques dos dízimos e eram chamadas de "câmaras dos tesouros" (Neemias 12:44) e mais tarde como "casa do tesouro" (Malaquias 3:10).


Quando Neemias reintegrou os levitas nas suas funções no templo, após o exílio babilônico, o dízimo que se recolhia dos campos voltou a ser entregue pelo povo:


"No mesmo dia foram nomeados homens sobre as câmaras dos tesouros para as ofertas alçadas, das primícias e os dízimos, para nelas recolherem, dos campos das cidades, os quinhões designados pela lei para os sacerdotes e para os levitas; pois Judá se alegrava por estarem os sacerdotes e os levitas no seu posto. ...Então todo o Judá trouxe para os celeiros os dízimos dos cereais, do mosto e do azeite." Neemias 12:44 e 13:12.


Mais ou menos na mesma época de Neemias, uma outra voz se levantou contra a corrupção e roubo dos sacerdotes. O mensageiro de Deus, Malaquias, anunciou o castigo aos chefes religiosos de Jerusalém por terem se desviado do caminho e por terem desobedecido à lei. Considerou-os desprezíveis e indignos diante de todo o povo (Malaquias 2:1, 8 e 9) por terem roubado a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas (Malaquias 3:7 e 8). Para restaurar os trabalhos no Santuário, Deus ordenou o seguinte:


➢ "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, ..." Malaquias 3:10.


O devorador

Muitas igrejas pregam a respeito desse ser. Algumas corretamente, outras, por falta de conhecimento bíblico, erroneamente, trazendo ao povo confusão e engano.

Esse texto é a continuação de Malaquias 3.10, o tão famoso texto que fala a respeito de dízimos no Antigo Testamento. Um bom grupo de pessoas diz que o "devorador" mencionado nesse texto é um demônio que destrói as finanças daqueles que não dão os 10%, ou seja, que não são dizimistas. As pessoas que pregam nessa linha trazem ameaças de destruição financeira aos seus ouvintes se os mesmos não forem dizimistas fieis.


A resposta é não. Os que afirmam que esse devorador citado no texto é um demônio, no mínimo, faltaram em algumas aulas de interpretação da Bíblia. A primeira coisa a sabermos é que no Antigo Testamento, a aliança que vigorava era uma aliança baseada na obediência. Se o povo fosse obediente às leis de Deus seriam abençoados. Essas bênçãos eram visivelmente mandadas em forma de paz e boas colheitas e prosperidade. Se fossem desobedientes, seriam amaldiçoados. Falta de paz e colheitas ruins estavam em vista aqui. (Deuteronômio 28). Em uma das ameaças de maldições em suas colheitas, que Deus manda ao povo através do profeta Joel, vemos que: "O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor." (Joel 1. 4). Uma maldição que tinha em vista a destruição da lavoura.


O texto de Malaquias 3. 11 diz a mesma coisa: "Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.". Esse devorador certamente se tratava de um tipo de gafanhoto altamente destrutivo ou outro "bicho" que acabava com as plantações (que eram a base da economia do povo de Israel). A ação devastadora desse "ser" acabava com a prosperidade do povo em pouco tempo atacando suas lavouras.


Quando o povo era obediente a Deus e cumpria a Sua lei, que no caso desse texto é a lei de dizimar, Deus abençoava suas colheitas e negócios. Esse é o sentido desse texto. Assim, não faz sentido usar esse texto para afirmar que o devorador era um demônio ou coisa parecida. Nem faz sentido ameaçar as pessoas hoje em dia com esse devorador.




Você poderá sim contribuir para a manutenção de sua casa de oração, congregação ou igreja. Porém como oferta e não como obrigatoriedade de dízimo.

A cobrança do dízimo para manutenção de templos e pagamento de salários de pastores e outros cargos ministeriais não tem base na lei de Deus e isso a torna um ato ilícito.

Realmente há uma frase de Paulo que diz: "Vocês não sabem que aqueles que trabalham no templo alimentam-se das coisas do templo, e que os que servem diante do altar participam do que é oferecido no altar?" - 1 Coríntios 9:13

Porém ele também nos advertiu: "Pois vocês mesmos sabem como devem seguir o nosso exemplo, porque não vivemos ociosamente quando estivemos entre vocês, nem comemos coisa alguma à custa de ninguém. Pelo contrário, trabalhamos arduamente e com fadiga, dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vocês," - 2 Tessalonicenses 3:7,8

Como então podemos conciliar os dois contextos? No primeiro o apóstolo diz que o obreiro merece viver da obra e no segundo que não se deve ser pesado à ninguém.

Obviamente já se sabia que a lei do dízimo levítico já havia sido abolida. E as igrejas cristãs, arrecadavam coletas voluntárias (2 Coríntios 9:7). Analisando as duas situações, chegamos ao entendimento de que, o que trabalha na obra de Deus dedicando o seu tempo integral, é digno de comer daquilo que é ofertado. Porém, se a congregação não arrecadava fundos o suficiente para sanar as necessidades diárias do cooperador, então ele deveria conciliar sua empreitada no evangelho com algum outro tipo de trabalho. Podemos extrair nos escritos de Atos 18, que o próprio apóstolo confeccionava tendas para complemento de seu sustento.


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