A assembléia de Jerusalém (Atos 15)


Muitos cristãos acreditam de que pelo fato do mandamento do sábado não ter sido listado na assembléia de Jerusalém, ele não teria mais validade.

A ASSEMBLÉIA DE JERUSALÉM CANCELA AS LEIS DE DEUS?


"Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes OBSERVAR A LEI DE MOISÉS. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também.Que vos ABSTENHAIS das COISAS SACRIFICADAS aos ÍDOLOS, e do SANGUE, e da CARNE SUFOCADA, e da PROSTITUIÇÃO; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá." - Atos dos Apóstolos 15:5,10-11,29


Já ouvi incontáveis vezes de irmãos em Cristo que a observância dos dez mandamentos (o 4º em questão), ou que as leis dietéticas não podem mais ser válidas aos cristãos pois tais não foram repetidas em Atos 15 onde se encontra a primeira ata da igreja cristã.

Para uma melhor análise do assunto, vamos contextualiza-lo:

Notamos que nenhum mandamentos do decálogo foi citado (não matar, não roubar, não honrar pai e mãe ...), pois com estes mandamentos não enfrentavam problemas naquela ocasião e sim, alguns preceitos e o impasse sobre a necessidade de circuncisão para a salvação (ordenança da lei de Moisés e não mandamento do decálogo). Ou será que é razoável concluirmos que por tais mandamentos, assim como o sábado, não terem sido citados em tal assembléia eles perderam sua validade? Obviamente que não.

A HISTORICIDADE DA OCASIÃO

Aqui encontramos os líderes da igreja reunidos em Jerusalém para decidir sobre um grande embate que estava ocorrendo em cima dos novos cristãos convertidos.

Havia aqueles (os judaizantes) que estavam ensinando que a menos que uma pessoa fosse circuncidada de acordo com a "lei de Moisés", ela não poderia ser salva.

Estes judaizantes, da seita dos Fariseus que tinham se tornado cristãos, estavam colocando a exigência da circuncisão e a guarda de toda a "lei de Moisés" sobre os novos conversos.

Paulo e Barnabé estavam convictos que tais exigências não deviam ser colocadas sobre os novos crentes. Pedro concordou com eles e disse (v.10 a 11):

"Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que eles também."

Ele vai ao ponto que nós somos salvos pela graça e não pela circuncisão.

Neste ponto é necessário destacar o fato que o sinal de entrada de se tornar um judeu era o sinal da circuncisão. Uma vez que alguém era circuncidado, ele era então requerido a guardar todas as leis cerimoniais (rituais religiosos), para a expiação (perdão), dos pecados. Dessa forma, invalidando o sacrifício de Cristo em nossas vidas. Coisa que não seria um bom negócio.

Tais judaizantes ainda não estavam convencidos da suficiência plena do sacrifício do Messias para o perdão dos pecados e estavam tentando inserir tais legalidades à esses novos crentes que ainda estavam por aprender a doutrina cristã e ainda "impregnados" com a cultura pagã que era de costume naquela sociedade.


OS COSTUMES PROBLEMÁTICOS MAIS EVIDENTES DAQUELE PAGANISMO ERAM:

1. Prostituição

A adoração e os cultos à deusa Afrodite (deusa da sensualidade), era muito praticada na antiga Roma e aos seus arredores. Tais cultos e adorações tinham como um grande marcador práticas de sensualidade e prostituição. Algo que era muito tentador naquela época.

E fora a questão religiosa, a promiscuidade já estava impregnada na sociedade romana, seduzindo não somente os gentios, como a judeus também.

* A palavra empregada no texto bíblico como PROSTITUIÇÃO, no original em grego é "PORNÉIA"; que se refere à todo ato sexual ilícito.

2. Contaminação do paganismo

Além da questão sexual de cunho sexual e idólatra, ainda haviam cultos aos demais deuses romanos.

Na Roma Antiga, antes do surgimento e crescimento do cristianismo, as pessoas seguiam uma religião politeísta, ou seja, acreditavam em vários deuses; em média, cerca de 30 divindades.

Tal politeísmo gerou uma série de influencias culturais seja na forma de se vestir, falar, comportar e de se alimentar.

Nas residências haviam estátuas desses deuses e muitas rezas eram proferidas à eles em várias partes do dia.


3. Consumo de carnes de animais sacrificados aos deuses pagãos

E obviamente, com tantos deuses, haviam muitos sacrifícios de animais.

E também devemos saber que a carne desses sacrifícios eram consumidas e vendidas e depois da conscientização dos apóstolos aos novos convertidos de que consumir tais carnes é abominação a Deus (Deuteronômio 32:16-17), houve um grande temor e muitos exageros relativos, que foram também tema de algumas cartas de Paulo como por exemplo, a do livro de ROMANOS capítulo 14.


4. Consumo de carnes de animais não sangrados (sufocados)

É do conhecimento de todo cristão e judeu de que Deus também proíbe o consumo de carnes de animais que não tenham sido sangrados conforme as leis em Levítico 7:26-27, Levítico 17:13-14 e da proibição do consumo de seu sangue conforme Gênesis 9:2-5. Porém naquela sociedade e nas demais, não tinham tal segmento.

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Por tais motivos, foram dadas naquela ocasião, reforços aos mandamentos que certamente já haviam sido dados no momento da pregação do evangelho de Cristo aos que eram novos convertidos mas que porém, estariam sendo transgredidos por tais em motivo dos costumes e influências sociais e culturais da época e região.

E também é ilógica a conclusão de que apenas tais 4 mandamentos foram dados aos cristãos e isso podemos ver claramente no decorrer das escrituras.

Estes escritos de Atos 15 jamais poderão servir de base para excluir um ponto sequer das leis de Deus, pois nesta ata foram tocados apenas quatro preceitos que eram de extrema necessidade na ocasião.

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