As Alianças de Deus


Veja neste estudo as alianças que Deus estabeleceu com o homem no decorrer da história e suas promessas. Será que tais possuem prazo de validade?



As alianças de Deus


Uma aliança é um acordo, contrato ou compromisso que une dois partidos de forma legal. Na Bíblia, uma aliança também une espiritualmente, criando uma ligação especial entre as partes. A aliança define os direitos e deveres de cada partido, as bênçãos de guardar a aliança e as consequências de a quebrar.

Dependendo do contexto, uma aliança podia ser um juramento entre duas ou mais pessoas, um tratado de paz entre dois reinos ou até a constituição de um país, definindo a relação entre o rei e seus súditos. Muitas alianças eram seladas com sangue, para mostrar que suas vidas estavam ligadas para sempre.

Deus fez alianças de vários tipos na Bíblia e mostrou Sua fidelidade ao cumprir todas.

A Aliança com Noé

Depois do dilúvio, Deus estabeleceu uma aliança com Noé, seus descendentes e todos os seres vivos.


Ele prometeu nunca mais destruir a terra com um dilúvio (Gênesis 9:8-11). Essa aliança era incondicional, não dependia da obediência de Noé nem seus descendentes.
A aliança de não destruir a terra toda com um dilúvio continua em vigor até hoje e é representada pelo ARCO-ÍRIS

A história de Arca de Noé, de acordo com os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis, começa com Deus observando o mau comportamento da Humanidade e decidido a inundar a Terra e destruir toda vida. Deus encontrou um bom homem, Noé, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma nova linhagem do homem. Deus disse a Noé para fazer uma arca e levar com ele a esposa e seus filhos Shem, Ham e Japheth, e suas esposas. E, de todas as espécies de seres vivos existentes então, levar para a arca casais destes, para continuação da espécie.

Noé e seus filhos obedeceram ao Senhor e começaram a construção. As outras pessoas zombavam da advertência de Noé e não deram nenhum crédito. Continuaram más. Pois ninguém acreditou quando Noé contou o que Deus ia fazer.

A Bíblia não diz especificamente quanto tempo Noé levou para construir a arca. Quando é mencionado pela primeira vez em Gênesis 5:32, Noé tem 500 anos de idade. Quando entra na arca, ele tem 600 anos de idade. O tempo que demorou para construir a arca vai depender de quanto tempo tinha passado entre Gênesis 5:32 e o comando de Deus para construir a arca (Gênesis 6:14-21). Podemos saber apenas que demorou no máximo 100 anos. 

Noé entrou na arca quanto tinha cerca de 600 anos de idade, no 17º dia do segundo mês (Gênesis 7:11-13). Noé saiu da arca no 27º dia do segundo mês do ano seguinte (Gênesis 8:14-15). Portanto, supondo um calendário lunar de 360 dias, Noé permaneceu na arca por aproximadamente 370 dias.

Sete pares de cada espécie de animais limpos e dois pares de cada espécie de outros animais foram levados para a arca (Gênesis 6:19-20; 7:2-3). Quando saíram da arca, Noé fez um altar e ofereceu um sacrifício ao Senhor (Gn 8.20) que aceitou sua oferta e marcou sua aliança com os animais (Gn 9.2,3 e 10), com a humanidade (Gn 9.11) e com a família de Noé (Gn 9.1).

Aliança é um pacto, um acordo ou trato, a diferença é que não tem prazo de vencimento a menos uma das partes quebre o contrato. Toda aliança apresenta o contrato com as partes, tem bênçãos pela obediência, maldições da desobediência, exige sacrifício de sangue (Gn 9.5) e tem um sinal visível para servir de memorial (Gn 9.12-16).

A Aliança com Abraão

Deus estabeleceu uma aliança eterna com Abraão, prometendo lhe dar uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu.


Deus também prometeu que os descendentes de Abraão seriam seu povo especial, uma benção para todas as nações da Terra (Gênesis 17:7-9).

 
E o pacto que sela esta aliança é a circuncisão de todo o homem que faça parte da nação de Israel.

Haviam se passado uns 350 anos desde o dilúvio dos dias de Noé.

O patriarca Abraão vivia na próspera cidade de Ur, onde hoje é o Iraque. Abraão era um homem de notável fé. Mas agora sua fé seria testada.

Deus ordenou a Abraão que deixasse sua terra natal e se mudasse para um país estrangeiro, que veio a ser Canaã. Abraão obedeceu sem hesitação. Levou sua família, incluindo sua esposa, Sara, e seu sobrinho Ló; e após uma longa viagem, passou a morar em tendas em Canaã.

Num pacto que fez com Abraão, Deus prometeu-lhe que iria fazer dele uma grande nação, que todas as famílias da Terra seriam abençoadas por meio dele e que sua descendência possuiria a terra de Canaã.

Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: "Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las". E prosseguiu: "Assim será a sua descendência". Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça." - Gênesis 15:5,6 

Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados". - Gênesis 12:2,3 


Abraão depositou fé nessa promessa. Contudo, a amada esposa de Abraão, Sara, continuava estéril. Então, quando Abraão tinha 99 anos de idade e Sara quase 90, Deus disse a Abraão que eles teriam um filho. De acordo com essa promessa, Sara deu à luz Isaque. Abraão teve outros filhos, mas seria por meio de Isaque que viria o Libertador.

Abraão e Ló prosperaram, acumulando enormes rebanhos de ovelhas e gado. Generosamente, Abraão deixou que Ló escolhesse o território que desejasse.

Ló escolheu o fértil distrito do rio Jordão e estabeleceu-se perto da cidade de Sodoma. Mas os homens de Sodoma eram imorais - grandes pecadores contra Deus e receberam grande castigo.


A Primeira Aliança com Israel

Depois que os tirou do Egito, Deus estabeleceu uma aliança com o povo de Israel.



Essa aliança colocava Deus como o rei e os israelitas como Seu povo especial (Êxodo 19:5-6).

Além de confirmar a aliança com Abraão, esta aliança estabeleceu as leis para um "povo santo" e as regras de adoração a Deus.

A aliança com o povo de Israel vinha com condições. Se eles e qualquer gentio que se achegasse; obedecessem, seriam abençoados, mas se quebrassem a aliança, seriam castigados. Cada geração tinha o dever de renovar a aliança com Deus e guardar Suas leis. 


A representação desta aliança era a "Arca da Aliança". Dentro da Arca da Aliança continha:

* A Lei de Deus: Sinal da importância à submissão e obediência para uma vida em santidade

* Porção do maná: Sinal da misericórdia de Deus

* A vara de Arão: Sinal da importância do serviço cerimonial


A aliança que Deus fez com Israel no Monte Sinai era que se eles mantivessem a obediência aos Mandamentos, eles poderiam então demonstrar que eram homens santos e dignos da vida eterna. Desta forma seria possível para eles alcançarem a bênção principal sob o Convênio Abraâmico.

Eles se tornariam a semente espiritual de Abraão através de quem Deus havia prometido que iria abençoar o mundo. "E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. "E a tua descendência será como o pó da terra." - Gên.12:2,3; 28:14

O Decálogo, ou Dez Mandamentos, é o coração dos aspectos morais de Deus; a raiz de Sua lei. Serve como um código de culto e moral para um povo andar em santidade perante o Criador. 

O Convênio dado a Israel através de Moisés, expressa a justiça de Deus. (Êx 20:1-26)

Foi através de Suas santas leis que Deus firmou uma aliança com Seu povo. Uma lei é o conjunto de mandamentos. Todo mandamento faz parte da lei de Deus.


Os Dez Mandamentos foram entregues no Monte Sinai ao povo hebreu, por Deus, através de Moisés, separadamente do restante da Torá. De acordo com a Bíblia, os mandamentos escritos nas duas tábuas da Lei, foram escritas pelo dedo do próprio Deus sendo que os demais foram ditados por Ele e escritos em pergaminhos por Moisés e ambos falados diretamente ao povo. Em hebraico (língua original dos Mandamentos), o número total dos mandamentos da Torá são de 613.


A entrega dessa lei (conjunto de mandamentos), teve como propósito de povo viver em santidade perante o Criador; apartados do pecado em elegíveis a ser o povo sando de Deus:

"vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa'. Essas são as palavras que você dirá aos israelitas".  -  Êxodo 19:6

A Aliança com Davi

Deus abençoou Davi por sua fidelidade, estabelecendo uma aliança com ele.


Deus prometeu que Davi sempre teria descendência e que sua descendência reinaria para sempre (Salmos 89:3-4).

Essa aliança se cumpre em JESUS, descendente de Davi, que reina para sempre.

Salmo 89 fala da aliança eterna entre Deus e Davi. Esse é o terceiro salmo mais longo da Bíblia (depois dos Salmos 78 e 119), e é um salmo podemos dizer que messiânico porque a aliança de Davi, descrita nesse texto, somente encontra sua validade e seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo.

Fiz um pacto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: Estabelecerei para sempre a tua descendência, e firmarei o teu trono por todas as gerações." - Salmos 89:3,4


A aliança que Deus fez com Davi só encontrou seu cumprimento e sua validade definitiva em Jesus Cristo, o que vemos no anúncio do nascimento de Jesus do anjo Gabriel a Maria:"Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim" (Lc 1.31-33).

Depois da ressurreição e da ascensão de Jesus, Paulo diz aos judeus em relação à aliança de Davi: "E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi" (At 13.34).

E a Timóteo, seu filho espiritual, Paulo escreve: "Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho" (2 Tm 2.8).

Os pactos e alianças que Deus celebra são totalmente irrevogáveis. Sua garantia é indiscutível e não poderia ser mais segura. No Salmo 89.35-37 o Eterno promete: "Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?): A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono, como o sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço".

A Aliança Renovada com Israel

"Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o Senhor. "Porei minhas leis em suas mentes e as escreverei em seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo." - Hebreus 8:10


Pela fé, cada pessoa salva entra em uma aliança com Deus. Ele promete a salvação, a vida eterna e Sua presença contínua na vida do crente. As leis de Deus são escritas no seu coração e a pessoa se torna dedicada a Deus. A aliança de Deus através de Jesus é eterna e perfeita, cumprindo todas as promessas feitas anteriormente. Deus nunca vai quebrar essa aliança.

Se pararmos para analisar, veremos que esta Nova Aliança não anula as anteriores feitas com a nação de Israel, mas sim as confirma e as cumpre.

Vemos no início deste estudo que esta aliança escreve a lei de Deus em nossos corações. Não novas leis, mas sim a mesma lei. 

"Foi do agrado do Senhor, por amor da sua justiça, engrandecer a lei e torná-la gloriosa." - Isaías 42:21


⠂ Para que não haja dúvidas sobre o capítulo 42 de Isaías se tratar do Messias, o próprio Cristo o citou como referência à Ele em Mateus 12:18-21.

Então, uma das profecias sobre o Messias diz que Ele engrandeceria, tornaria gloriosa a lei de Deus e não a aboliria. Pois logicamente se algo é abolido, tal não foi engrandecido ou glorificado.

Vemos uma explicação de Paulo aos gentios convertidos sobre a ligação da lei de Deus e a nova aliança.

"para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus." - Romanos 8:4-8

⠂ Paulo faz uma clara referência entre andar em Espírito e cumprir a lei de Deus e entre andar segundo a carne e desobedecer a lei de Deus. Vemos que a guia do Espírito Santo nos conduz à obediência à Sua lei e isso nos traz vida e paz; e a influência da carne nos trará morte pois é inimiga de Deus pois não é capaz de obedecer.


Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos.  -  2 Coríntios 3:3

"Porque não são os que ouvem a Lei que são justos aos olhos de Deus; mas os que obedecem à lei, estes serão declarados justos. ( De fato, quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os. ) Isso acontecerá no dia em que Deus julgar os segredos dos homens, mediante Jesus Cristo, conforme o declara o meu evangelho."  -  Romanos 2:13-16


* Conforme a exortação do apóstolo Paulo, Justos não são apenas os judeus que conheciam a lei de Deus. E sim todo aquele que a tinha gravada em seus corações e as cumpria; seja judeu ou gentio. E serão julgados conforme tal obediência no dia do juízo mediante a Jesus!

Na Nova Aliança somos salvos da condenação pois somos salvos da influência da carne que é pecaminosa. Pois pecado nada mais é do que a transgressão da lei de Deus (1 João 3:4); e tal transgressão terá como consequência o fogo do inferno pois o salário do pecado é a morte eterna (Romanos 6:23).

O que muda é que, com a nova aliança, conforme já vimos, a lei de Deus é escrita em nosso coração e assim sendo, somos capacitados a cumpri-la.




O SACRIFÍCIO DAS ALIANÇAS COM ISRAEL

Vemos que o sangue de um sacrifício era o que firmava um pacto / aliança:


O SACRIFÍCIO DA PRIMEIRA ALIANÇA

"e enviou certos mancebos dos filhos de Israel, os quais ofereceram HOLOCAUSTOS, e sacrificaram ao Senhor SACRIFÍCIOS pacíficos, de bois. E Moisés tomou a metade do SANGUE, e a pôs em bacias; e a outra metade do sangue espargiu sobre o altar. Também tomou o livro do pacto e o leu perante o povo; e o povo disse: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos. Então tomou Moisés aquele SANGUE, e espargiu-o sobre o povo e disse: Eis aqui o SANGUE DO PACTO que o Senhor tem feito convosco no tocante a todas estas coisas". - Êxodo 24:5-8


O SACRIFÍCIO DA NOVA ALIANÇA

E disse-lhes: Isto é o MEU SANGUE, o SANGUE DO PACTO, que por muitos é derramado." - Marcos 14:24



* Conforme podemos verificar, foi um sacrifício que firmou as duas alianças com Israel. A primeira, onde a expiação pelos pecados era realizada através da morte de animais, foi firmada através do sacrifício de um animal. Já a segunda, onde a expiação é alcançada através do sacrifício de Cristo, foi firmada através do derramamento do sangue Dele próprio.


A NOVA ALIANÇA PARA A CASA DE ISRAEL


Todos os rituais cerimoniais do tabernáculo/templo, da velha aliança apontavam para o sacrifício maior e definitivo de Jesus Cristo .

Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo. Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança." - Hebreus 9:11-15 

* Para a nação de Israel, a morte de Cristo significou a conclusão da graça de Deus que era atuante desde o antigo pacto. Pois ao professarem a fé na misericórdia de Deus em perdoar seus pecados através do sacrifício de animais (que não tinha poder de fato para perdoa-los), morrendo  Cristo, pagou toda a "dívida" que tinham com Deus. Vejamos duas passagens abaixo que atestam essa situação:

"e cancelou o escrito de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz,"  -  Colossenses 2:14

No que tange a Colossenses 2:14, onde está citada a frase "escrito de dívida", a frase no original (grego koiné), é "χειρόγραφον τοῖς δόγμασιν", que na verdade tem o significado de uma "nota promissória" de dívidas contraídas através das transgressões às ordenanças/mandamentos de Deus.

"pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados."  -  Hebreus 10:4


O povo do antigo pacto fazia na verdade um "depósito" em sua esperança de salvação na graça de Deus. E Cristo veio torná-la plena! Pagando toda a dívida de um povo. 

É importante ressaltar que todos os estrangeiros (gentios), que aceitavam ao Deus de Israel e eram circuncidados, passavam a fazer parte integrante da nação de Israel e a lei passava a ser para todos. Tanto para o natural, quanto para o estrangeiro (Levítico 24:22).


A NOVA ALIANÇA PARA A CASA GENTÍLICA

Desde o antigo (primeiro), pacto com o povo de Israel, com o povo eleito, Deus sempre se mostrou aberto a todo estrangeiro (gentio), que desejasse ser agregado. Todo estrangeiro que quisesse ser "povo de Deus" deveria adentrar na aliança com Israel e seguir a mesma lei.

"uma mesma lei tereis, tanto para o estrangeiro como para o natural; pois eu sou o Senhor vosso Deus." - Levítico 24:22 

"E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos." - Isaías 56:3-7

Mesmo se tratando da antiga aliança, estas são provas de que a aliança está aberta para qualquer um que quisesse ser "enxertado" à nação eleita. E para alguém fazer parte desta nação, deverá ser santo.

Então para os gentios, que estavam excluídos da nação e promessa de Deus, Cristo veio derrubar este "muro de inimizade"; fazendo da casa de Israel e gentílica (os que se convertem), uma só nação. 

"Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto."  -  Efésios 2:11-13



ENXERTADOS NA OLIVEIRA

Pode parecer estranho e até mesmo uma idéia contrária à crença de muitos cristãos. Mas sim, os gentios pela misericórdia de Deus, através da crença em Cristo é inserido na nação de Israel.

Ao examinarmos a carta aos Romanos capítulo 11; nos deparamos com a prédica de Paulo explicando aos gentios que através da misericórdia de Deus, eles são galhos enxertados á oliveira que é a nação de Israel. E que por tudo isso fazer parte do plano Dele, não podemos nos vangloriar e tão menospreza-los. 

Pergunto, pois: Acaso Deus rejeitou o seu povo? De maneira nenhuma. Eu mesmo sou israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim." - Romanos 11:1 

Paulo inicia este capítulo já com uma afirmação designada a derrubar uma provável falácia entre os gentios de que pelo fato da classe farisaica dos judeus ter se empenhado na crucificação de Cristo, Deus rejeitou Israel e elegeu unicamente a nação gentílica como Seu povo eleito. Anulando assim, as alianças e Suas promessas anteriores. O que não é verdade.


Vamos prosseguir com a leitura abaixo:

Que dizer então? Israel não conseguiu aquilo que tanto buscava, mas os eleitos o obtiveram. Os demais foram endurecidos, como está escrito: "Deus lhes deu um espírito de atordoamento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até o dia de hoje". - Romanos 11:7,8 

Para tudo há um propósito de Deus. Como podemos ver nesta exortação, Paulo afirma que Deus "fechou os olhos" de Seu próprio povo para que Seus desígnios fossem cumpridos.


"Logo, pergunto: Porventura tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. Ora se o tropeço deles é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude." - Romanos 11:11,12



Esta claríssima exortação de Paulo nos deixa profundamente pensativos quanto a importância da nação de Israel para todos os gentios. E que não podemos em hipótese nenhuma os subjugar em ter levado a Cristo para a crucificação pois tal atitude nada mais foi do que parte dos planos de Deus para que com que tal "tropeço", fossemos agraciados pela salvação através da Nova Aliança. E se através deste "tropeço" fomos favorecidos, com sua plenitude seremos muito mais. Veremos esta situação logo adiante.


E Paulo prossegue sua premissa nos indicando uma importante pista da suma importância da casa de Israel se converter em plenitude para que tudo seja cumprido ao favor de todos os que crêem na Graça de Deus.


"Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?" - Romanos 11:15


Será que a ressurreição dentre os mortos daqueles que guardaram a fé depende sobre algum ponto da nação de Israel?


Se é santa a parte da massa que é oferecida como primeiros frutos, toda a massa também o é; se a raiz é santa, os ramos também o serão. Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra esses ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você." - Romanos 11:16-18


Nos foi dada a advertência para que não nos achemos melhores ou mais santos do que os ramos naturais da raiz (Israel), pois fomos favorecidos com o favor de Deus que nos enxertou misericordiosamente na casa de Israel e não rejeitou Seu povo e nos fez o povo eleito. Isso é um pensamento contrário aos desígnios de Deus.


Vamos citar novamente a carta aos Efésios:

Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas, e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo." - Efésios 2:11-13


Vemos então nesta carta aos efésios a explicação de que antes de Cristo, os gentios que não eram circuncidados na carne estavam desligados da nação de Israel e assim, também desligados da promessa de Deus para a salvação.

Não nos resta dúvida que esta Nova Aliança que Deus fez com a casa de Israel também é o cumprimento da aliança que foi feita à Abraão sobre sua descendência de sangue ser benção para todas as nações do mundo e sobre também ser tão numerosa quanto as estrelas pois tal não poderia ser cumprida com a Israel natural e que não se relacionava com os gentios.

Mas que após Cristo, tal barreira deixou de existir (Atos 10), e com isso, desde os primeiros séculos da era cristã para cá, muitos de nós temos o sangue de Abraão correndo em nossas veias.


O PAPEL DE CRISTO NA NOVA ALIANÇA

Após a queda do homem no pecado em Gênesis 3, Deus teve que pôr em prática o Seu plano de salvação. Em todo o antigo testamento este plano ecoa em alto e bom som. Desde os ritos cerimoniais que apontavam para a vinda e sacrifício do messias.

O CORDEIRO EXPIATÓRIO

"De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão." - Hebreus 9:22



O perdão é a coisa mais preciosa do universo pois é através dele que nossos erros são esquecidos. Era justamente essa a mensagem que os sacrifícios de cordeiros na velha aliança transmitia; que um substituto inocente e sem pecados morreria em seu lugar pois inevitavelmente, o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).

Por isso que quando alguém cometia um pecado e se arrependia, deveria providenciar um cordeiro e se apresentar ao sacerdote no santuário para que fosse efetuado o sacrifício de purificação. Este serviço continuou tendo validade até o dia em que Cristo morreu. 

A partir de então, não seria mais necessário imolar qualquer cordeiro, pois o verdadeiro de Deus (João 1:29), para qual todos os antigos sacrifícios apontavam havia dado Sua vida pelo mundo uma vez que o modelo do antigo santuário e seus rituais terrestres eram apenas reflexo do celestial (Hebreus 8:5).


O SUMO-SACERDOTE

"Todo sumo sacerdote é escolhido dentre os homens e designado para representá-los em questões relacionadas com Deus e apresentar ofertas e sacrifícios pelos pecados."  -  Hebreus 5:1

Na carta aos hebreus, capítulo 5; iniciamos a leitura com o relato da ordem de sucessão sacerdotal dentre a linhagem de Levi; os levitas.

Onde tal incumbência se resumia em administrar todos os serviços religiosos e ritualísticos do tabernáculo e posteriormente o templo de Deus. Desde aconselhamentos espirituais, cultos de adoração, manutenção da ordem dos utensílios sagrados, sacrifícios, intercessão e etc. 


"onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque."  -  Hebreus 6:20

Então nos deparamos já no fim do capítulo 6, com a notícia de que Cristo, pela ordem não humana mas de Melquisedeque, assume o sumo-sacerdócio.


"Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico ( pois em sua vigência o povo recebeu a lei ), por que haveria ainda necessidade de se levantar outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão?"  -  Hebreus 7:11

"Ora, daqueles sacerdotes tem havido muitos, porque a morte os impede de continuar em seu ofício; mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. E ele fez isso de uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu."  -  Hebreus 7:23-27

Nos versos acima, vemos os motivos de uma real e extrema necessidade de termos um sumo-sacerdote não humano, imperfeito; onde também carecia de oferecer sacrifícios pelos seus próprios pecados antes mesmo de fazer tais pelos pecados do povo.

Temos então, todo um serviço de tabernáculo, ritualístico completamente espiritual e perfeito. Não mais administrado por mãos humanas mas sim, pelo próprio filho de Deus.


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